PROGRAMA DA EMBARCAÇÃO - VELEIRO 40` CC
   

Eloy Bernardo Nascimento Nogueira

 

 

                     

 

PROGRAMA DO VELEIRO

 

 

1. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

 

1.0.Introdução:

     Um veleiro que vai servir de moradia para uma família deve seguir algumas prioridades. Ao contrario de um veleiro de regata que visa otimização de velocidade, um barco de charter que prioriza uma grande quantidade de beliches para pernoite ou uma embarcação de final de semana que percorrerá apenas pequenos percursos ou ficará pouco tempo distante de um porto, a embarcação que servirá de moradia terá que priorizar a segurança, a autonomia e o conforto.

     Considerando o tempo que a tripulação desta embarcação ficará à bordo e as diferentes situações de mar à que vão estar expostas a segurança é essencial. Para tal deve-se ser previsto equipamentos de salvatagem, sistema de segurança para o uso e navegação em situações críticas, alem da manutenção da flutuabilidade por maior tempo possível em caso de avarias.

     Por ser esperado que se faça grandes travessias deve ser prevista a necessidade de uma grande autonomia. Para isto foi previsto um grande espaço para armazenamento de alimentos e água, além de um sistema de energia autônomo que garanta a manutenção de um certo conforto e dos equipamentos de navegação e segurança.

     O conforto é essencial se considerarmos que muitas vezes serão passados vários dias sem a possibilidade de sair do mesmo em um espaço reduzido que é o veleiro. Desta maneira este deve apresentar várias alternativas de uso e entretenimento além de soluções para minimizar os efeitos negativos quando em condições adversas de navegação. Também há a necessidade de se ter vários armários já que nestes se encontrarão todas as roupas da tripulação.

 

1.1.Tipo:

     Veleiro de Cruzeiro Oceânico para moradia de uma família média, dotado de motor auxiliar, cockpit central, armação de vela sloop, com autonomia para travessias ou permanências de até 60 dias para 4 ocupantes.

 

1.2 Dimensões:

                Comprimento total                                                                  12,00 m

                Comprimento da linha d’água                                                 9,43 m

                Altura da linha d’água de projeto                                            0,62 m

                Boca máxima                                                                             3,90 m

                Deslocamento                                                                          8,00 ton

                Lastro                                                                                        3,80 ton

 

2. ARRANJO GERAL:

 

2.1.Compartimentagem do casco:

Tanque de colisão à ré definido pela baliza 1.

Tanque de colisão à vante definido pela baliza 10,5.

 

Posição das anteparas estruturais:

       As anteparas estruturais localizam-se nas balizas 2 / 4 / 4,5 / 5,5 / 7,5 / 8,5 / 9,5 e 10,5. Na baliza 7,5 a antepara esta vinculada à requisitos estruturais decorrentes do mastro.

 

3.APROVISIONAMENTO:

 

3.1.Tanques para óleo diesel:

     Com capacidade para 300 L divididos em dois tanques de 150 L, estes são estanques, com abastecimento externo, localizados o mais baixo possível de forma a não alterar o equilíbrio da embarcação.

 

3.2.Tanques para água potável:

     Com capacidade de 600 L e com abastecimento externo, estão divididos em quatro tanques isolados a fim de propiciar um bom isolamento e evitar contaminação entre eles. Estão localizados o mais baixo possível de forma a não alterar o equilíbrio da embarcação.

 

3.3.Paióis:

 

     Paiol de popa com boa aeração e protegido da água do mar para a armazenagem de botijões de gás e eventuais galões de combustível.

 

4.INSTALAÇÃO DO MOTOR AUXILIAR:

     O motor está posicionado a partir da baliza 3,30 cm a vante, na linha de centro. Dimensões: 800 x 900 x 650.

 

5.CASCO:

         O casco do veleiro é dotado de uma proporção próxima a 1/3 o que garante uma boa estabilidade de forma, amplo espaço para arranjo e um desempenho adequado a um veleiro de cruzeiro. A laminação de fibra de vidro tem espessura média de 25 mm.

 

6.Formas do casco:

 

TABELA DO PLANO DE LINHAS DO VELEIRO DE 40 PÉS

 

BALIZAs

LINHAS D`ÁGUA

convÉs ao lado

LINHAS do ALTO

250

500

650

1000

1500

1750

½ BOCA

h

a

b

c.line

12

 

 

 

 

 

 

000

2100

 

 

2100

11

 

 

 

 

0173

0275

0375

2050

 

 

1150

10

 

0058

0175

0400

0600

0681

0750

2000

2000

 

0450

09

0100

0489

0600

0835

1009

1064

1075

1950

0840

 

0221

08

0548

0850

0961

1210

1375

1400

1400

1925

0403

 

0080

07

0850

1175

1293

1530

1643

1655

1655

1910

0196

0933

0030

06

1050

1425

1550

1781

1875

1875

1875

1900

0128

0571

0010

05

1150

1525

1652

1875

1950

1957

1960

1875

0098

0479

0000

04

1136

1519

1939

1853

1962

1968

1960

1875

0109

0483

0010

03

1000

1383

1500

1725

1874

1900

1900

1900

0166

0625

0100

02

 

1005

1162

1450

1650

1692

1700

1900

0377

1093

0300

01

 

 

0320

1008

1325

1375

1375

1900

0798

 

0600

00

 

 

 

 

0850

0909

0900

1900

1353

 

1050

 Distância entre balizas : 1000 mm

Distância entre linhas do alto A e B : 750 mm

Todas desta tabelas medidas estão em milímetros.

PLANOS DE LINHAS:

 

 

 

7.EQUIPAMENTOS AUXILIARES:

               - 2 âncoras de diferentes tipos com 25 Kg cada

               - 200 m de cabo e 20 m de correntes para ancoragem

               - 8 coletes salva-vidas (400 x 300 x 70 mm cada)

               - 2 bóias salva-vidas (700 mm de diâmetro)

               - 2 extintores de incêndio (600 x 220 mm)

               - 1 balsa inflável (1200 x 600 x 400 mm)

               - 2 bombas de porão

               - 4 defensas (800 x 300 mm de diâmetro)

 

8.REQUISITOS PARA  O ARRANJO:INTERIOR:

 

8.1.Beliches: 

     A embarcação dispõe de 8 beliches: 1 beliche duplo no camarote de proa e outro no camarote de proa e dois beliches simples de sobrepor no salão em ambos os bordos junto aos sofás. Os beliches estão posicionados longitudinalmente à embarcação e dispõe de acessórios que evitam a queda dos ocupantes e proporcionem conforto ao usuário em situações de navegação adernada a um do bordos.

 

8.2.Cozinha:

     A boa ventilação se dá por ventilação natural cruzada entre as vigias e escotilhas e pela ventilação forçada gerada por um ventilador/exaustor de teto externamente acoplado a um cachimbo. A iluminação é garantida naturalmente pelas escotilhas e vigias além da iluminação elétrica para a noite e dias nublados.

     A pia é provida de uma bacia dupla com torneiras de água salgada e outra de água doce provida de bomba manual de pé para evitar o desperdício da mesma. A bacia está posicionada de maneira a evitar respingos no sofá. Acima da pia está o posicionamento das louças onde são colocadas para escorrer e quando secas já se encontram em seu devido lugar.

     A cozinha é dotada de fogão de duas boca e forno que pode funcionar tanto com gás, combustível líquido ou eletricidade suspenso por um eixo cardã paralelo ao eixo longitudinal da embarcação.

     O desenho da cozinha foi concebido de modo a permitir o apoio de seu ocupante durante seu uso em condições mais adversas de uso.

     A geladeira elétrica tem capacidade de 120 L e há também uma caixa de gelo sob o piso ao lado da cozinha em frente à gaiúta de entrada.

     Há também uma caixa de gelo para que quando a embarcação estiver em localidades com fácil acesso à gelo esta possa ser usada em lugar da geladeira e assim economizar energia. Sua localização esta sob o piso da cozinha. Esta se deve ao fato de que neste ponto a embarcação esta sob a água e por isto à uma temperatura natural mais reduzida. Ela é compartimentada para que o acesso à alimentos de consumo constante não prejudique os de armazenamento prolongado estando muito sujeito a variações de temperatura pela abertura constante da porta.

     O lixo é dotado de um compactador manual.

     Todos os armários são providos de trinco que evitam sua abertura com o balanço.

     Acima da pia há um escorredor para facilitar a tarefa de lavar louça.

     O volume abaixo do cockpit está centralizado uniformizando o peso de mantimento.

     A cozinha tem ventilação cruzada própria.

 

8.3.Mesa de Navegação:

     A mesa de navegação é dotada de uma mesa de navegação plotter de 52,83 x 71,88 cm. Esta base se levanta e sob a qual há espaço para guardar os instrumentos auxiliares à navegação. As cartas de navegação ficam em um compartimento atrás do assento do navegador. Os instrumentos de navegação estão dispostos sobre e entorno da mesa de navegação com iluminação e posicionamento que facilitem suas leituras.

 

8.4.Banheiros:

     A iluminação natural do banheiro se dá através de uma vigia e a ventilação por um exaustor com cachimbo. O banheiro de popa tem duas portas, uma para a cabine para conferir privacidade e a outra para o salão ao lado da mesa de navegação para que no caso de entrar molhado na embarcação possa ter acesso ao mesmo. Além disto a porta que dá para sala permite um volume de renovação de ar superior ao da cabine. A torneira da pia é a mesma que pode ser removida e posicionada para servir de chuveiro. Esta é servida de água doce e água salgada, dependendo da conveniência. Na área de armário há espaço para produtos de higiene e medicamentos.

O lavatório e a bacia funcionam por um sistema de bomba manual e estão posicionados acima da linha d’água.

 

9.COCKPIT:

 

A escolha do cockpit central se deu pelo maior conforto de pilotagem em função de estar mais abrigado aos respingos de água além de permitir uma maior utilização do deque para área de lazer junto à popa.

Conseqüentemente foi necessário elevar a retranca a fim de evitar que o movimento da catraca na mudança de bordo representasse algum perigo para os tripulantes no cockpit. A sua elevação elevou o centro de massa e para manter a mesma área vélica foi necessário alterar levemente a forma da vela. Como o centro vélico foi elevado em ½ da elevação da catraca, para manter a estabilidade a bolina foi alterada com aumento de peso para baixar seu centro de massa.

 

CONSIDERAÇÕES GERAIS:

 

A escada tem inclinação de 60.

O equipamento de salvatagem se encontra no cockpit com fácil acesso em caso de necessidade.

O acesso ao motor é facilitado pela abertura de sua caixa lateralmente e pelo o levantamento parcial da escada.

 

10.PLANTAS E IMAGENS:

 

 1  - Etapas do Desenvolvimento do Trabalho

 2  - Vista Lateral à Estibordo

 3  - Vista da Proa

 4  - Vista da Popa

 5  - Planta do Convés

 6  - Planta do Arranjo Interno

 7  - Corte Longitudinal – vista de bombordo

 8  - Corte Longitudinal – vista de estibordo

 9  - Corte Transversal – popa/proa

10 - Corte Transversal – proa/popa

11 - Detalhes

12 - Arranjo do Sistema Hidráulico

13 - Arranjo do Sistema de Propulsão Vélico

14 - Arranjo do Sistema Propulsor à Combustão

15 - Arranjo do Sistema de Segurança à Incêndio

16 - Arranjo dos Equipamentos de Salvatagem

17 - Arranjo dos Compartimentos de Armários

18 - Arranjo dos Compartimentos de Viveres

19 - Arranjo dos Compartimentos Diversos ( cabos, equipamentos de manutenção, velas... )

20 - Análise dos Espaços de Circulação

21 - Análise dos Espaços de Assentos

22 - Análise dos Espaços de Beliches

24 - Análise das Aberturas e Sistema de Circulação de Ar

23 - Análise do Sistema de Iluminação Natural

24 - Perspectiva Isométrica do Casco 1

25 - Perspectiva Isométrica do Casco 2

26 - Perspectiva Isométrica Exterior 1

27 - Perspectiva Isométrica do Exterior 2

 

11.Modelo Tridimensional:

 

O modelo tridimensional visa uma melhor visualização e compreensão dos volumes internos a  da embarcação, tanto das áreas de uso como de confinamento.

 

BIBLIOGRAFIA:

 

LIVROS:

 

MALONEY, Elbert S. – Chapman Piloting. Hearst Marine Books, New York, 61º edition, 1994.

SCHENK, Bobby – Long-distance Cruising. Davi & Charles Book, 1994.

MURRANT, Jim – La Biblia de la Navegacion Desportiva. Cúpula, Barcelona, 1997.

LEAL, Abinael Mrais – Dicionário de Termos Náuticos, Marítimos e Portuários. Aduaneiras,  São Paulo, 1992.

ECHEGARAY, Alfonso, BOSCH, enric – Entendiendo el Diseño Naval. Noray, Barcelona, 1º edição, 1985.

Schimidt, João G – Aprenda a Velejar. Tecnoprint, Rio de Janeiro, 1992.

Vieira, Anselmo – Iniciação à Navegação Marítima. Presença, 2º edição, Lisboa, 1991.

Barros, Geraldo Luiz Miranda de – Navegar é Fácil. Edições Marítimas, Rio de Janeiro, 1985.

Sanada, Vera e Yuri – Como viver à Bordo. L&PM, Porto Alegre, 1996.

 

PERIÓDICOS:

Mondo Barca – nº 52, maggio 1991 / nº 54, luglio 1991 / nº 57, ottobre 1991 / nº 59, dicembre1991.

Vela e Motore – nº 3, marzo 1991 / nº 7, luglio 1991 / nº 9, settembre 1991.

Bateaux – nº 461, octobre 1996.

Nautica - nº 346, febbralo 1991 / nº 358, febbralo 1992 / nº 431, marzo 1998 / nº 436, agosto 1998.

Bateaux / Salon – nº 451, decembre 1995.

Yachting – nº 7, january 1998.

Sail – vol. 28, nº 3, march 1997 / vol. 28, nº 9, september 1997 / vol. 28, nº 10, october 1997.

Sail 1997 Sailboat Buyers Guide

Sail 1998 Sailboat Buyers Guide

Cruising World – october 1995 / march 1997 / may1997 / october 1997.

Sailing Today - nº 1, may 1997 / nº 2, june1997.

 

Vela e Náutica – nº 55/56, dezembro/agosto 1995 / nº 58, março 1995 / nº67, dezembro 1995.

 

Navegar – nº 6, dezembro/janeiro 1998 / nº 7, fevereiro/março 1998.

Náutica, II Fenágua – edição especial.

 

APOSTILAS:

 

LAB NAV - Universidade de São Paulo  AUP439 e AUP 441:

Metodologia / Representação Bi e Tridimensional

O Plano de Linhas

Conceito de Deslocamento

Conceito de Estabilidade

O Conceito de Flutuabilidade

A Estrutura dos Navios

Tipologia Geral das Embarcações

O Ambiente Operacional

Modelagem Bidimensional e Tridimensional

Método Projetual para Projetos de Arranjos Navais

O Navio como Sistema

Noções de Arranjo dos Espaços das Embarcações

Acessos e Circulações

Padrões de Habitabilidade dos Espaços das Embarcações

Nomenclatura Naval – Termos Navais

 

Sobre os Seminários:

 

Sistema de Fundeio

Atracação e Manobras

Equipamentos de Salvatagem

Equipamentos de Comando

Praça de Máquinas

Equipamentos do Tijupá

Iluminação

Escadas e Balaustrada

Aberturas

Móveis e Equipamentos Navais

Acabamentos

FOTOGRAFIAS,Interiores E LAYOUTS – apostila NET.

ASSOCIAçÃO NACIONAL DE CRUZEIROS – apostila NET.

 

coletâneas:

 

NÁUTICA & OFFSHORE:

Píers e Marinas

Breves

Técnicas, Meteorologia, Equipamentos e Opiniões

Eletricidade e Culinária

Arquitetura Naval

Relatos e Histórias

Testes e Design

 

REPORTAGENS:

 

VELEIROS

ESTABILIDADE

ARCHITETTURE PER IL MARE

 

CATÁLOGOS:

 

VÁRIOS:

AUER -  panfleto de âncoras

MAN – Motores

MARINE – Geradores

MBT – Inversores

PANDA – catálogo geral

PLASTIMO – 98

RAYTHEON :

      - 1998 Apelco - Marine Eletronics

        -  1996 -1997 Autohelm

Terra-marpft transformador e carregador

VETUS – 1998

                -  Aluminium Products

                -  Vetus Deutz

                -  Marine Diesel Engines

                -  Eletrecidad a Bordo / Elitricity on Board

                -  Entorno al Motor / Around the Engine

                -  Bow Thrusters Eletric ( duas unidades )

                -  Pricelist / Dealers

                -  Catálogo Geral ( esp./ ing. duas unidades)

ZEFIR – panfleto geral